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Titulo Os Loureiros Estão Cortados
Autores Édouard Dujardin, Francisco Silva Pereira (trad.)
Colecção
Variações
Género
Novela
Proposto por
Margarida Madeira
Editor
Hugo Xavier
Formato
13x20cm
N.º Páginas Estimado
120
Data Estimada
Setembro/Outubro de 2022
Notas
Em 1922, James Joyce confessava numa carta ao seu tradutor francês, Valéry Larbaud, que o «criador» do «monólogo interior» fora Édouard Dujardin.
Joyce explicava-lhe que a novela Os Loureiros Estão Cortados tinha sido a principal inspiração para o estilo do seu Ulisses. Larbaud, por sua vez, insistiu numa reedição da obra há muito esgotada desde a publicação original em 1887.

Com um enredo intencionalmente difuso, a novela segue a vida de um estudante em Paris durante seis horas. O estudante antecipa o encontro com a bela actiz Lea d'Arsay, que o irá aceitar como amante (muito embora, na realidade, esteja apenas interessada no seu dinheiro).

As seis horas de anseios, dúvidas e motivação pessoal são, como mais tarde descreveu o seu Autor, «um romance de algumas horas, de uma acção banal, com um personagem aleatório». O interesse do Autor residia na forma de contar a realidade de uma pessoa comum: os seus pensamentos, a sua mente, tendo o Autor a menor intervenção possível nessa realidade inquestionável.

O título do livro tem origem numa canção com rima escrita por Madame de Pompadour, a famosa amante do rei francês Luís XV, em 1753. A canção descreve o ciclo da natureza, a morte e o renascimento da vida. No entanto, tem também um hipotético segundo sentido relativo à proibição das casas de passe devido a um surto de doenças venéreas. Na época, as casas de passe tinham a distingui-las sobre a porta um ramo de loureiro. De acordo com essa leitura, a canção seria um incentivo à despenalização e um hino à liberalização das orgias sexuais. Todas estas leituras podem ser encaixadas em correntes de sentido na paixão do jovem estudante, protagonista da novela.

Apesar da admissão do próprio Joyce, a comunidade literária teve muita resistência a admitir Dujarin como pai dessa técnica revolucionária. Tratava-se de um autor mais velho, que pertencera à geração que «os novos» tinham precisamente a intenção de destruir. Na verdade, Dujardin teve uma vida longa, falecendo aos 88 anos e atravessando várias escolas e movimentos, mas ficou sobretudo associado ao simbolismo. Apesar de ter continuado a experimentar técnicas narrativas, era visto pelo meio literário como um monumento de outras eras.
Édouard Dujardin (1861-1949) foi um escritor francês. Dramaturgo, poeta, romancista e ensaísta, é hoje considerado o «pai» do monólogo interior.
Filho único de um capitão da marinha mercante, Dujardin cedo herdou a fortuna paterna e viveu em Paris a vida de um dandy. Com essa herança patrocinou a produção de duas peças de teatro da sua autoria, publicou em jornais e revistas, e ficou associado, desde cedo, ao movimento simbolista. 

Viveu uma vida luxuosa, sendo ao mesmo tempo frequentador da alta sociedade e dos círculos artísticos. São-lhe conhecidas dezenas de relações com algumas das mulheres mais belas do seu tempo, como actrizes, manequins e modelos. Envolveu-se igualmente com jovens artistas mulheres das mais diversas áreas cuja formação ajudou a financiar.

Com o esmorecimento do simbolismo e o surgimento de outras correntes finisseculares e, pouco depois, modernas, Dujardin e a sua prolífica obra vão caindo no esquecimento. No começo do século xx, com a Primeira Guerra Mundial, Dujardin tinha gasto boa parte da sua fortuna. Mantém-se literariamente activo, mas a crítica literária ignora-o.

Só em meados dos anos 20, devido à confissão de James Joyce e à promoção do seu tradutor, Valéry Larbaud, ganha um novo reconhecimento. Ainda assim, o meio literário tinha bastante resistência em admitir um «fóssil» como inspirador de uma das maiores revoluções artísticas da modernidade. Dujardin não se envolveu na discussão e apenas em 1931, quando a polémica estava esquecida, publicou um ensaio literário em que compara o seu estilo e a sua intenção com o de Joyce.

Morreu em 1949, aos 88 anos. Esta é a primeira tradução da sua obra fundamental em língua portuguesa.
Sem informação.
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