23.90€ 17.57 
Valor mínimo para apoiar este livro
2
Apoiantes
155
Apoiantes Necessários
Titulo A Alma Japonesa Persiste - Uma Antologia
Autores Wenceslau de Moraes, Vasco Rosa (Introd., org. e notas)
Género
Antologia
Proposto por
Vasco Rosa
Editor
Hugo xavier
Formato
15,5x23,5
N.º Páginas Estimado
360
Data Estimada
Janeiro/Fev. de 2027
Notas
Um dos mais singulares olhares portugueses sobre o Oriente — íntimo, melancólico e maravilhado — regressa agora numa antologia que revela toda a persistência espiritual do Japão de Wenceslau de Moraes.
Muito antes de o Japão se tornar fascínio de massas ou mero exotismo turístico, Wenceslau de Moraes mergulhou profundamente na vida japonesa, tornando-se um dos raros ocidentais do seu tempo autorizados a viver de forma prolongada e integrada naquele universo ainda largamente fechado ao exterior. Oficial da marinha, diplomata, cronista e observador apaixonado, Moraes viveu entre Nagasáqui, Kobe e Tokushima, conheceu intimamente a sociedade japonesa, casou-se duas vezes com mulheres japonesas e construiu uma existência suspensa entre duas civilizações, numa entrega quase total ao país que acabaria por adoptar como pátria espiritual. A sua própria vida, feita de fascínio, perda, solidão e contemplação, tornar-se-ia inseparável da obra que deixou.
A Alma Japonesa Persiste — Uma Antologia, com introdução, organização e notas de Vasco Rosa, percorre precisamente essa multiplicidade extraordinária do universo moraesiano. Mais do que um simples livro de excertos, esta antologia funciona como um amplo retrato cultural e humano do Japão observado por um europeu que recusou permanecer simples visitante. Ao longo destas páginas cruzam-se história, religião, etnografia, lendas populares, vida quotidiana, cerimónias, códigos sociais, administração imperial, relações afectivas, literatura, política e psicologia colectiva, revelando um país em profunda transformação entre o fim do século XIX e os alvores do século XX.
Mas aquilo que verdadeiramente distingue Wenceslau de Moraes dos restantes viajantes e orientalistas do seu tempo é o modo como o olhar documental se transforma constantemente em experiência íntima. O Japão que aqui surge não é apenas descrito: é vivido. Moraes observa os pequenos gestos do quotidiano com a mesma atenção dedicada às grandes questões espirituais e civilizacionais; procura compreender os silêncios, os rituais, a delicadeza das relações humanas, a disciplina social, a concepção japonesa da morte, do dever e da beleza efémera. A sua escrita oscila entre o ensaio, a memória, a crónica impressionista e a meditação poética, produzindo uma obra singular na literatura portuguesa.
Embora admirado por gerações de leitores e escritores, Wenceslau de Moraes permanece ainda hoje um autor relativamente menor dentro do cânone literário português, frequentemente reduzido à condição de curioso “escritor do Japão”. Esta antologia demonstra, porém, a verdadeira dimensão da sua obra: não apenas testemunho histórico raro, mas também uma das mais subtis tentativas de diálogo entre culturas produzidas em língua portuguesa. A modernidade do seu olhar — simultaneamente empático, melancólico e crítico — aproxima-o por vezes mais de certos memorialistas e observadores europeus do século XX do que dos cronistas coloniais seus contemporâneos.
Nesta edição, o trabalho de contextualização e anotação de Vasco Rosa permite reencontrar Moraes em toda a sua complexidade intelectual e humana, iluminando referências culturais, enquadramentos históricos e aspectos menos conhecidos da sua biografia e produção literária. A Alma Japonesa Persiste surge assim não apenas como porta de entrada ideal para novos leitores, mas também como uma redescoberta maior de um escritor português cuja voz continua singularmente actual: a de alguém que, entre duas margens do mundo, procurou compreender o outro sem jamais deixar de se transformar a si próprio.

Índice
  Apresentação
  Guia de leitura 
A ALMA JAPONESA PERSISTE
– UMA ANTOLOGIA
  Um jantar de festa
  A Primavera
  O exotismo japonês 
  [Aviso]
A ALMA JAPONESA PERSISTE
  A educação no Japão
  A linguagem 
  [A poesia]
  [O budismo]  
  A vida na família
  O amor
PAISAGEM COM MUITAS FIGURAS
  A paisagem japonesa
  O amor pelos bichos 
  A beleza das pedras
  O meu jardim
  Sem cheiro 
  O vendedor de udon
  O cavalo branco de Nanko
  No santuário de Kwannon
  O tiro do meio-dia (Ainda Ko-Haru)
  Crisântemos
O CULTO DO CHÁ 
CONTOS E LENDAS
  A alforreca
  O pardal de língua cortada 
  Um pintor de gatos 
  Ninguyo 
CEMITÉRIOS JAPONESES 
  O cemitério japonês
  Dois cemitérios japoneses
  O barril do lixo do cemitério de Chiyo on-ji 
  Impressões de um passeio
  O túmulo de Atsumori
MADE IN JAPAN
  Um triplo suicídio no Japão
  «Hisamatsu não está em casa»
  Os caranguejos de Dan-no-Ura
  A mão e o pé japoneses
FERNÃO MENDES PINTO E O JAPÃO 
Entre o fascínio do Oriente e a melancolia do exílio voluntário, Wenceslau de Moraes transformou a experiência íntima do Japão numa das obras mais singulares da literatura portuguesa.
Wenceslau de Moraes nasceu em Lisboa, em 1854, e faleceu em Tokushima, no Japão, em 1929. Oficial da Marinha portuguesa e posteriormente diplomata, viveu largos anos no Oriente até se fixar definitivamente no Japão, primeiro como cônsul em Kobe e depois como residente em Tokushima. Numa época em que o país permanecia ainda relativamente distante e enigmático para os europeus, Moraes tornou-se um dos raros ocidentais a integrar-se profundamente na sociedade japonesa, criando laços afectivos duradouros e casando com mulheres japonesas. A perda sucessiva das suas companheiras e o progressivo isolamento dos últimos anos contribuíram para a tonalidade elegíaca e meditativa que atravessa grande parte da sua escrita.
A sua obra constitui um vasto conjunto de crónicas, ensaios, memórias e reflexões sobre o Japão da era Meiji e das primeiras décadas do século XX. Entre os seus livros mais importantes encontram-se Dai-Nippon (1897), Cartas do Japão (1904-1905), O Culto do Chá (1905), Bon-Odori em Tokushima (1916), Os Serões no Japão (1922) e Relance da História do Japão (1924). Nestes volumes, Moraes abordou aspectos tão diversos como a vida quotidiana, os costumes, a religião, a organização social, a psicologia colectiva e os efeitos da modernização japonesa, sempre através de uma escrita simultaneamente observadora, lírica e profundamente pessoal.
Embora durante muito tempo tenha permanecido numa posição relativamente marginal dentro do cânone literário português, Wenceslau de Moraes é hoje reconhecido como uma figura fundamental das relações culturais entre Portugal e o Japão. Distanciando-se do exotismo fácil e das perspectivas coloniais habituais no seu tempo, construiu uma visão intimista e humanizada da sociedade japonesa, que continua a despertar interesse crítico tanto em Portugal como no Japão. A originalidade da sua prosa impressionista e contemplativa faz dele não apenas um cronista do Oriente, mas também um dos mais singulares escritores portugueses do final do século XIX e início do século XX.
Sem informação.
Impresso em papel snowbright com certificado ambiental.

Se gostou deste livro também vai gostar de...

Venha construir esta editora connosco