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Titulo As Confissões - Vol. I
Autores Jean-Jacques Rousseau, Manuel de Freitas (tradutor)
Género
Memórias
Proposto por
Hugo Xavier
Editor
Suzana Ramos e Hugo Xavier
Formato
15,5 x 23,5 cm
N.º Páginas Estimado
460
Data Estimada
Junho de 2025
Notas
Uma das obras fundamentais da cultura filosófica do Ocidente. «As Confissões», de Jean-Jacques Rousseau, são simultaneamente o testemunho de uma época e de um intelecto imortal.
A primeira parte de As Confissões, de Jean-Jacques Rousseau, publicada postumamente em 1782, representa um marco na literatura autobiográfica, distinguindo-se pelo grau de originalidade e profunda introspecção. Rousseau assume o compromisso de relatar a sua vida com absoluta sinceridade, expondo sentimentos, pensamentos e acções sem quaisquer reservas. Esta abordagem inovadora, que antecipa a literatura confessional moderna, rompe com as convenções da época ao privilegiar a análise subjectiva em detrimento de uma simples narrativa factual.

Nesta primeira parte, Rousseau descreve a sua infância e juventude, desde o seu nascimento em Genebra, em 1712, até à sua chegada a Paris, em 1741. Relata episódios marcantes, como a perda precoce da mãe, a educação dispersa, as experiências como aprendiz, a paixão pela leitura e os primeiros encontros com figuras que moldariam o seu pensamento. A narrativa alterna entre memórias pormenorizadas e reflexões filosóficas, revelando não só os acontecimentos da sua vida, mas também uma série de emoções e dilemas morais, numa escrita fluida e envolvente.

A originalidade de As Confissões reside na forma como Rousseau transcende a autobiografia convencional, mergulhando nos meandros da sua consciência e explorando a sua identidade com uma honestidade sem precedentes. Longe de ser uma mera justificação dos seus actos, a obra apresenta uma auto-análise profunda, na qual o autor procura compreender e explicar as suas acções à luz de emoções e impulsos. É precisamente esta capacidade de transformar a experiência pessoal em matéria literária e filosófica que vai exercer um ascendente decisivo no desenvolvimento da literatura moderna.

A influência de As Confissões estendeu-se muito além do romantismo, deixando uma marca determinante em escritores que decidiram explorar as próprias vidas através da escrita autobiográfica. Entre os nomes que seguiram o exemplo de Rosseau contam-se Goethe, cuja obra Poesia e Verdade adopta uma abordagem semelhante; Stendhal, que, em Memórias de Um Turista, revela um tom introspectivo; e Chateaubriand, cuja Memórias de Além-Túmulo evoca a mesma fusão entre a experiência pessoal e a reflexão filosófica. Também figuras como Tolstoi, com A Minha Confissão, e Casanova, com a célebre História da Minha Vida, encontram precedentes na escrita inovadora de Rousseau, consolidando As Confissões como uma obra fundadora do género autobiográfico moderno.
 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) foi um dos filósofos mais importantes de todos os tempos, cujas ideias são, ainda hoje, a base de muitos dos nossos sistemas políticos, educacionais e sociais.
Nasceu em Genebra, na Suíça, no seio de uma família de classe média instalada há cinco gerações na cidade. Oriunda de França, a família tinha sido perseguida por católicos depois de um antepassado livreiro ter publicado obras de carácter protestante e contava já na altura com direitos de voto democrático que só eram conferidos aos cidadãos considerados nativos e com um certo estatuto social.

Desde tenra idade, cinco ou seis anos, como confessará mais tarde, Rousseau foi um leitor compulsivo, lendo desde literatura popular da época aos clássicos como Plutarco, entre muitos outros. Aos quinze anos, foge de Genebra, atravessando uma Europa dividida por guerras entre protestantes e católicos. Nas suas Confissões relata aventuras, amores e intrigas, bem como a sua chegada a Paris, onde se cruza com Denis Diderot. O conhecimento do mundo e a pluralidade de empregos diversos e de troca de experiências formam a sua mundivisão. Começa a publicar artigos sobre as mais diversas áreas, mas com um interesse particular por questões de Educação, revelando também um pendor muito particular para a Matemática, a Filosofia, a Música, a Ciência e a História, os seus grandes temas de estudo e de trabalho filosófico.

Contribuiu para a Enciclopédia, ou dicionário racional das ciências, artes e profissões, de Diderot e D'Alembert, publicada em 35 volumes, os últimos dos quais saíram em 1772. Depois de se afastar dos enciclopedistas, escreve as suas três obras principais: Julie ou a Nova HeloísaO Contrato Social; e Emílio, ou da Educação.

As suas opiniões políticas e sobre outras matérias incomodaram a sociedade da época. Rousseau viu os seus escritos banidos e algumas cidades fecharem-lhe as portas, nomeadamente, Paris, Berna e Genebra. Porém, conseguiu a protecção de Frederico, o Grande, rei da Prússia, e passa a residir perto de Neuchâtel (então sob a administração desse monarca). Muda-se temporariamente para Inglaterra, regressa a França, e, pelo meio, trava quezílias políticas e ideológicas que o levam a debates acesos com Voltaire, David Hume, entre muitos outros.

Nos últimos anos de vida, Rousseau conseguiu, apesar de manter opiniões que chocaram os seus contemporâneos, o reconhecimento que lhe mereceu muitos patronatos. Morreu vítima de um AVC.
Sem informação.
Impresso em papel snowbright com certificado ambiental.

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