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Titulo Garganta de Aço - Contos Completos Vol. I
Autores Mikhail Bulgakov, Larissa Shotropa (tradução)
Género
Contos
Proposto por
Larissa Shotropa
Editor
Hugo Xavier
Formato
15,5x23,5cm
N.º Páginas Estimado
464
Data Estimada
Prazo suspenso. A Comunicar após normalização COVID-19
Notas
A faceta mal conhecida do grande clássico moderno russo.
Entre nós Bulgakov é sobretudo conhecido pelo romance Margarida e o Mestre, uma vez que ao público português chegou apenas uma pequena parte de uma obra tão vasta quanto notável. A ficção curta de Bulgakov reflecte o espírito do seu tempo, bem como o país natal do escritor. No entanto, o registo destes contos, em grande parte inéditos em língua portuguesa, oscila entre as correntes de tradição clássica e as grandes vanguardas literárias internacionais.

Nos dois volumes que irão reunir a ficção curta completa de Bulgakov, os contos serão apresentados por ordem cronológica de publicação, revelando assim ao leitor o próprio percurso literário que o autor trilhou.
Estas breves narrativas são o retrato de uma Rússia envolta num turbilhão político e social, mas também numa febre de novas ideias e de escolas literárias ou artísticas. Os contos que aqui se compilam cruzam temáticas modernistas e vanguardistas com o registo quase bucólico inspirado na experiência de Bulgakov enquanto médico de província. O rústico e o urbano misturam-se assim com sageza para revelar as várias faces de um país multifacetado em tempos de mudança.

«Bulgakov conseguiu a proeza política de sobreviver artisticamente num tempo em que isso era quase impossível e sem nunca fazer concessões. A todas as limitações que o seu tempo e o seu meio o sujeitavam sobrepunha-se o génio.» Joseph Brodsky (Prémio Nobel da Literatura)

«Admire-se Bulgakov, que conseguiu trazer uma tradição de escrita russa e fazê-la sobreviver no meio da tempestade.» Milan Kundera

«Quem nunca leu Bulgakov não pode perceber a literatura russa moderna.» Susan Sontag

«A corrupção do humano pelo humano é um dos temas que prevalecem nos textos de Bulgakov. O bem e o mal têm raízes muito semelhantes que se entrecruzam e lançam o leitor no enigma de existir.» Edyth C. Haber

«Na literatura ocidental dificilmente existe um escritor tão surpreendente e versátil como Bulgakov.» Tzvetan Todorov

«Bulgakov é o meu autor russo de eleição.» Michel Tournier
Mikhail Bulgakov (1891-1940) é considerado o nome maior das letras russas na primeira metade do século XX.
Nascido em Kiev (Ucrânia), então parte do Império Russo, Bulgakov era um dos sete filhos de um advogado e de uma professora. Durante os tempos de liceu apaixonou-se pela literatura, devorando não só os grande nomes russos, mas também a maior literatura europeia em voga na altura. Contudo, em 1907, e depois da morte do pai, optou pela carreira médica, tendo completado o curso de medicina com distinção e tornando-se médico no hospital militar de Kiev.


Nos seus primeiros tempos especializou-se, sendo responsável por estudos pioneiros, nomeadamente no domínio das consequências da sífilis, um mal que assolava as tropas russas e também uma faixa elevada da população mais viajada e de moral mais liberal. Este período deixou marcas profundas na escrita do autor, que se centrou muitas vezes na natureza do pecado e da corrupção moral. Bulgakov compreendia as circunstâncias atenuantes de muitos dos seus pacientes, e, mais tarde, teria a mesma condescendência com muitas das suas personagens.

Durante dois anos foi destacado como médico para a área rural de Smolensk. De regresso a Kiev em 1918 abre um consultório privado e é durante esse período que assiste à Guerra Civil e a 10 golpes de Estado. Sucessivos governos alistam o jovem médico, enquanto dois dos seus irmãos combatem pelo exército branco contra os bolcheviques.

Em 1919, ao serviço do exército popular da Ucrânia, presta serviço no Cáucaso, mas contrai febre tifóide e fica às portas da morte. Ainda não totalmente recuperado, começa a trabalhar como jornalista, mas quando o seu nome e o de outros médicos são escolhidos pelos governos alemão e francês para exercerem as suas profissões, Bulgakov vê essa permissão ser-lhe negada por causa da febre tifóide. A partir dessa data, nunca mais viu a sua família, que partiu quase na totalidade para Paris. 

Depois de recuperado, decidiu abandonar a carreira médica para se dedicar à escrita.  Viveu sempre com dificuldades, trabalhando como jornalista, director de revistas, correspondente e folhetinista. Publicou diversos livros de contos e romances, bem como algumas peças de teatro. Depois de ver uma peça sua banida pessoalmente por Estaline, Bulgakov viu o mesmo Estaline a defendê-lo publicamente das críticas de um director teatral, reconhecendo-o como um escritor cuja obra estava acima do partido ou de definições de esquerda ou direita.

Apesar do êxito temporário, a censura oficial bane as obras de Bulgakov em 1929. Em desespero, escreve pessoalmente a Estaline, que lhe permite continuar a trabalhar. No entanto, a relação difícil com o sistema mantém-se na década seguinte. A maior parte da sua obra (que não se coíbe de ridicularizar o regime) fica na gaveta e outra é proibida ou arrasada pela crítica. Ainda assim, é a sua época mais produtiva enquanto autor.

Ao longo da década de 30, Bulgakov trabalhou naquela que classificava como a sua obra crepuscular, Margarida e o Mestre, que esperava publicar ainda em vida. Porém, o romance só viu a luz do dia 26 anos após a morte do seu autor. Poucos meses depois de a concluir, morreu devido a uma doença crónica, a mesma de que padeceu o seu pai e que o próprio Bulgakov vaticinara vir a ser também o seu fim.
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