Antes de a fantasia ter mundos próprios, mapas, dinastias e heróis lendários, havia cavaleiros como Palmeirim d’Inglaterra.
Publicado em meados do século XVI, Crónica do Famoso e Muito Esforçado Cavaleiro Palmeirim d’Inglaterra é um dos grandes monumentos da literatura de cavalaria europeia e o primeiro verdadeiro best-seller internacional das letras portuguesas. Traduzido em diversas línguas e sucessivamente reeditado além-fronteiras, o romance de Francisco de Morais conquistou leitores por toda a Europa com um universo de combates, viagens, amores, prodígios, encantamentos e feitos extraordinários, tornando o nome de Palmeirim inseparável da grande tradição cavaleiresca do Renascimento.
É nesse vasto território da imaginação — feito de reinos ameaçados, linhagens, florestas, castelos, monstros, feiticeiros, amores impossíveis e heróis postos à prova — que se encontram algumas das raízes mais profundas da fantasia moderna. Muito antes dos mundos de Tolkien, George R. R. Martin e de tantos outros autores contemporâneos, os ciclos de cavalaria ensinavam os leitores a perder-se em universos extensos, povoados por numerosas personagens e atravessados por aventuras que se entrelaçam de geração em geração. Palmeirim d’Inglaterra pertence ao melhor dessa tradição: um romance de aventura de espantosa vitalidade, capaz ainda hoje de surpreender pela velocidade da narrativa, pela exuberância da invenção e pela dimensão do seu mundo.
O seu prestígio atravessou fronteiras e chegou até às páginas do D. Quixote. No célebre episódio do escrutínio da biblioteca do cavaleiro manchego, em que o cura e o barbeiro condenam ao fogo grande parte dos romances de cavalaria, Cervantes faz de Palmeirim d’Inglaterra uma das raras excepções: a obra é poupada e expressamente elogiada pela sua qualidade, testemunho singular da reputação de que já gozava no início do século XVII.
Esta nova edição devolve finalmente aos leitores portugueses, na sua integridade, uma das obras mais importantes e internacionalmente bem-sucedidas da nossa literatura — a primeira edição integral publicada em Portugal em mais de cem anos. Clássico incontornável do século XVI e, simultaneamente, uma extraordinária máquina de contar aventuras, Palmeirim d’Inglaterra regressa assim ao lugar que lhe pertence: não apenas na história da literatura portuguesa, mas nas mãos dos leitores que ainda procuram num livro o prazer de partir para o desconhecido.
«É um bom romance, muito superior a qualquer outro da escola ibérica que até então conheci.» -- Robert Siouthey
«O mérito fundamental será sempre o da exuberante imaginação.» -- Fidelino de Figueiredo
«Considerado como obra de arte, Palmeirim de Inglaterra fica apenas atrás do Amadis de Gaula entre os romances de cavalaria.» -- George Ticknor
«Foi através das edições preparadas por Southey do Amadis e do Palmeirim que Keats, Coleridge, Mary Shelley e Hazlitt conheceram o género.»-- Helen Moore
«Os episódios sucedem-se com facilidade, revelando um novelista rico de faculdades imaginativas.» -- Feliciano Ramos
«A não menos rara que excelente e majestosa história do famoso e afortunado príncipe Palmeirim de Inglaterra.»-- Anthony Munday
«É talvez o melhor da série de romances de cavalaria do ciclo do Amadis de Gaula.» -- Lewis Spence
«O Palmeirim de Inglaterra — a glorificação do género — pelo seu enredo bem travado e pela elegância do estilo.» -- Luís Augusto Rebello da Silva
«Não é preciso pedir desculpa por admirar uma narrativa elogiada por Cervantes e favorita de Keats.» -- William Edward Purser