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Titulo O Amor em Visitas
Autores Alfred Jarry, Duarte Bandeira (Tradutor), R. Daout (Ilustrador)
Colecção
Livro B
Género
Novela
Proposto por
Duarte Bandeira
Editor
Hugo Xavier
Formato
12,5x21cm
N.º Páginas Estimado
160
Data Estimada
Setembro / Outubro de 2026
Notas
Uma sucessão de visitas amorosas, máscaras, desejos e fantasias onde Alfred Jarry transforma o erotismo num laboratório de imaginação, ironia e inquietação moderna.
Em O Amor em Visitas, Alfred Jarry conduz o leitor através de uma série de encontros sentimentais e eróticos que oscilam continuamente entre a sátira, a fantasia e o delírio poético. As personagens surgem como figuras quase abstractas, criaturas movidas por impulsos contraditórios, presas de uma sensualidade simultaneamente mecânica e sonhadora. O amor aparece menos como sentimento estável do que como jogo de aparições, deslocamentos e experiências extremas, numa atmosfera em que o absurdo convive com uma estranha elegância decadentista.
Ao longo do livro, Jarry dissolve as fronteiras entre realidade, imaginação e representação teatral. As “visitas” amorosas tornam-se episódios de metamorfose contínua: o desejo muda de forma, a identidade vacila e o humor negro atravessa mesmo os momentos mais líricos. Sob a aparência de fantasia libertina, a obra esconde uma reflexão profundamente moderna sobre o corpo, a obsessão, o automatismo das relações humanas e a artificialidade dos códigos sociais. A linguagem de Jarry, simultaneamente precisa e extravagante, cria um universo onde o grotesco e o refinamento coexistem sem contradição.
Este livro ocupa um lugar singular no conjunto da obra de Alfred Jarry e costuma ser associado ao período em que o autor desenvolveu as vertentes mais imaginativas, eróticas e experimentais da sua ficção. Surge em diálogo com obras como Le Surmâle e Messaline, formando uma espécie de tríptico informal em torno do desejo, da desmedida e da mecanização do amor. Nestas obras, Jarry afasta-se progressivamente do simbolismo tardio para antecipar linguagens que mais tarde seriam reconhecidas no surrealismo, no teatro do absurdo e mesmo em certas correntes da ficção científica especulativa.
A influência de Jarry sobre a literatura e a arte do século XX foi imensa. André Breton colocou-o entre os grandes precursores do surrealismo, ao lado de Lautréamont e Rimbaud. Guillaume Apollinaire admirava profundamente a liberdade verbal e imaginativa da sua obra, enquanto autores posteriores como Marcel Duchamp, Antonin Artaud e Boris Vian reconheceram nele um dos grandes destruidores das convenções artísticas modernas. Breton via em Jarry um mestre do «humour noir» e da imaginação libertada das regras racionalistas. Jacques Vaché recordava-o como uma figura decisiva da modernidade literária, e Annie Le Brun descreveu a influência de Jarry como «considerável» sobre o imaginário surrealista.
Visionário, satírico e provocador, Alfred Jarry abriu caminho às vanguardas do século XX ao transformar o absurdo, a ironia e o excesso em instrumentos de renovação literária.
Alfred Jarry nasceu em Laval, França, em 1873, e morreu em Paris, em 1907, com apenas trinta e quatro anos. Figura excêntrica e lendária da vida literária parisiense, destacou-se desde muito jovem pela inteligência feroz, pelo humor iconoclasta e por um comportamento deliberadamente teatral que rapidamente o transformou numa personagem quase tão célebre quanto a sua própria obra. Frequentador dos meios simbolistas finisseculares, cultivou uma escrita marcada pela sátira, pelo grotesco, pela invenção verbal e por um permanente desafio às convenções morais, literárias e científicas do seu tempo.
A sua obra mais célebre permanece Ubu Roi (Rei Ubu), estreada em 1896, cuja representação provocou um dos maiores escândalos da história do teatro francês. A partir dessa peça — considerada por muitos um dos pontos de partida do teatro do absurdo — Jarry desenvolveu um universo singular que se prolongou em livros como Ubu enchaîné, Le Surmâle, Messaline, L’Amour en visites e sobretudo Gestes et opinions du docteur Faustroll, pataphysicien, obra fundamental onde formulou a célebre «Patafísica», definida ironicamente como a «ciência das soluções imaginárias». A sua escrita mistura narrativa, teatro, ensaio, fantasia científica, erotismo e paródia erudita numa combinação sem equivalente directo na literatura europeia do seu tempo.
A influência de Jarry sobre a modernidade literária e artística foi profunda e duradoura. Os surrealistas reconheceram-no como precursor essencial; André Breton via nele uma figura tutelar do humor negro e da libertação imaginativa, enquanto autores e artistas como Guillaume Apollinaire, Antonin Artaud, Boris Vian, Marcel Duchamp, Eugène Ionesco ou Fernando Arrabal herdaram aspectos decisivos da sua visão estética. A crítica moderna considera-o um dos grandes anunciadores das vanguardas do século XX, antecipando o surrealismo, o dadaísmo, o teatro do absurdo e certas correntes da ficção científica e da literatura experimental. Como escreveu Apollinaire, Jarry foi «a própria imaginação no poder», definição que continua a resumir exemplarmente o lugar singular da sua obra na história literária europeia.
Sem informação.
Impresso em papel Palago 80g

Composto na tipologia Korinna.

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