Diversos
Louis Pergaud (1882–1915)
Foi um escritor e professor francês, vencedor do Prémio Goncourt em 1910 pela colectânea De Goupil à Margot, composta por contos sobre animais com forte carga simbólica. É sobretudo lembrado pelo romance La Guerre des boutons (1912), sátira da rivalidade entre grupos de crianças em aldeias vizinhas. Pacifista assumido, morreu nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, vítima do mesmo conflito que denunciara na sua escrita.
Honoré de Balzac (1799–1850)
Foi um omancista e contista francês, é figura maior do realismo francês. Autor de A Comédia Humana (constituida por mais de 90 obras independentes), retratou a França pós-napoleónica — dinheiro, ambição, ascensão social — com personagens recorrentes. Estudou Direito, passou por jornalismo/edição, escreveu apesar de dívidas, casou com Ewelina Hańska e influenciou Flaubert, Zola e Proust.
Pierre Loti (1850–1923)
Pseudónimo de Julien Viaud, foi um oficial da Marinha francesa e um dos mais destacados escritores do exotismo finissecular, cuja obra literária se alimenta directamente das longas viagens que realizou pela Ásia, África e Médio Oriente ao serviço naval; autor de romances e narrativas de forte cunho autobiográfico, como Aziyadé, Pêcheur d’Islande, Madame Chrysanthème ou Ramuntcho, Loti cultivou uma escrita melancólica e sensorial, marcada pela nostalgia, pelo culto do efémero e por uma visão idealizada de culturas percebidas como ameaçadas pela modernidade ocidental, alcançando grande notoriedade internacional em vida e sendo eleito membro da Académie Française em 1891.
Miguel de Unamuno (1864-1936)
Nascido em Bilbao em 1864, formou-se em Filosofia e Letras na Universidade de Madrid e tornou-se uma das figuras centrais da chamada Geração de 98. Professor e, por várias vezes, reitor da Universidade de Salamanca, destacou-se tanto pela obra ensaística e romanesca – onde sobressai Del sentimiento trágico de la vida – como pela intervenção pública intensa, frequentemente polémica. A sua escrita, atravessada por preocupações existenciais, religiosas e identitárias, funde literatura e reflexão filosófica numa linguagem pessoalíssima.
O seu posicionamento crítico face à ditadura de Primo de Rivera valeu-lhe o exílio em 1924 (primeiro em Fuerteventura, depois em França). Regressado a Espanha, continuou a intervir na vida pública durante a Segunda República e nos primeiros meses da Guerra Civil, episódio marcado pelo célebre confronto na Universidade de Salamanca, em 1936. Faleceu nesse mesmo ano, a 31 de Dezembro, em sua casa, em Salamanca, vítima de morte natural.