Diversos
Pierre Loti (1850–1923)
Pseudónimo de Julien Viaud, foi um oficial da Marinha francesa e um dos mais destacados escritores do exotismo finissecular, cuja obra literária se alimenta directamente das longas viagens que realizou pela Ásia, África e Médio Oriente ao serviço naval; autor de romances e narrativas de forte cunho autobiográfico, como Aziyadé, Pêcheur d’Islande, Madame Chrysanthème ou Ramuntcho, Loti cultivou uma escrita melancólica e sensorial, marcada pela nostalgia, pelo culto do efémero e por uma visão idealizada de culturas percebidas como ameaçadas pela modernidade ocidental, alcançando grande notoriedade internacional em vida e sendo eleito membro da Académie Française em 1891.
Miguel de Unamuno (1864-1936)
Nascido em Bilbao em 1864, formou-se em Filosofia e Letras na Universidade de Madrid e tornou-se uma das figuras centrais da chamada Geração de 98. Professor e, por várias vezes, reitor da Universidade de Salamanca, destacou-se tanto pela obra ensaística e romanesca – onde sobressai Del sentimiento trágico de la vida – como pela intervenção pública intensa, frequentemente polémica. A sua escrita, atravessada por preocupações existenciais, religiosas e identitárias, funde literatura e reflexão filosófica numa linguagem pessoalíssima.
O seu posicionamento crítico face à ditadura de Primo de Rivera valeu-lhe o exílio em 1924 (primeiro em Fuerteventura, depois em França). Regressado a Espanha, continuou a intervir na vida pública durante a Segunda República e nos primeiros meses da Guerra Civil, episódio marcado pelo célebre confronto na Universidade de Salamanca, em 1936. Faleceu nesse mesmo ano, a 31 de Dezembro, em sua casa, em Salamanca, vítima de morte natural.
Eduardo Dias (1888-1949)
Nascido em Lisboa em 1888, Eduardo Dias foi escritor, historiador e orientalista, desenvolvendo parte importante da sua actividade no Brasil, onde viveu durante largos anos. No Rio de Janeiro, foi secretário e depois director do Banco Português do Brasil, desempenhou funções na Associação Comercial e participou activamente na vida da comunidade portuguesa. Viajante atento, percorreu diversos países da Europa e da América, bem como o Egipto e as Índias Orientais, dedicando particular interesse ao estudo das civilizações e culturas do mundo islâmico. Essa curiosidade marcou profundamente a sua obra, que se repartiu pela ficção, história, divulgação cultural e adaptação literária.
Entre os seus livros destacam-se a trilogia Árabes e Muçulmanos, o romance histórico Antar, o Cavaleiro-Mor, Harém: Contos e Ditos Muçulmanos, O Islão na Índia, a sua recolha e adaptação de As Mil e Uma Noites e os três volumes de Memórias de Forasteiros, parcialmente escritos em colaboração com Rodrigues Cavalheiro. Colaborador assíduo da imprensa portuguesa e brasileira, foi ainda autor de estudos dedicados à expansão portuguesa e à história do Brasil. Agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem de Cristo, faleceu em Lisboa, em Outubro de 1949, aos 61 anos, na sequência de complicações posteriores a uma intervenção cirúrgica.
Panaït Istrati (1884-1935)
Nascido em Brăila, na Roménia, em 1884, filho de uma lavadeira romena e de um grego da Cefalónia, Panaït Istrati teve uma juventude marcada pela pobreza, pelo trabalho e por incessantes viagens através dos Balcãs e do Mediterrâneo. Com escassa educação formal, exerceu numerosos ofícios e formou-se sobretudo através da leitura e da experiência. Militante socialista na juventude, começou por colaborar na imprensa operária romena. A sua vocação literária ganhou novo rumo quando entrou em contacto com Romain Rolland, que reconheceu nele um talento excepcional e contribuiu decisivamente para a sua revelação em França. Escrevendo sobretudo em francês, alcançou notoriedade com Kyra Kyralina e com o ciclo dos Récits d’Adrien Zograffi.
A sua ficção, profundamente autobiográfica, povoa-se de vagabundos, trabalhadores, aventureiros, marginais e rebeldes, compondo um retrato simultaneamente lírico e brutal do mundo balcânico. Inicialmente entusiasta da Revolução Russa, Istrati visitou longamente a União Soviética, mas o confronto com a repressão e a realidade do regime conduziu-o a uma ruptura pública, expressa em Vers l’autre flamme, que lhe valeu ataques violentos de antigos companheiros políticos. Entre as suas obras mais conhecidas contam-se ainda Oncle Anghel, Codine, Mikhaïl e Les Chardons du Baragan. Debilitado durante anos pela tuberculose, faleceu em Bucareste, a 16 de Abril de 1935, com cinquenta anos.