A terceira peça de teatro completa mais antiga de que se encontra registo é uma meditação intemporal sobre a condição feminina.
Um grupo de jovens mulheres acompanhadas do seu pai, Dánao, chega a Argos depois de atravessar o Mediterrâneo. Estas mulheres são estrangeiras, mas trazem consigo ramos cobertos de lã que, na cultura grega, são símbolos dos suplicantes. E é como suplicantes que vão abrigar-se num altar e pedir asilo aos argivos: fogem de um casamento forçado com os seus primos, filhos de Egito, que as querem tomar à força; e pedem ajuda a Argos porque reivindicam uma ligação à cidade, já que são descendentes de Io. O rei de Argos, Pelasgo, vê-se no dilema entre desrespeitar as regras de hospitalidade e de acolhimento aos suplicantes e, assim, provocar a ira de Zeus, ou acolher estas jovens mulheres e desencadear uma guerra com os filhos de Egito. As consequências da sua decisão são agravadas quando elas ameaçam suicidar-se e poluir os altares sagrados.
Ésquilo é o mais antigo dos três grandes tragediógrafos atenienses cuja obra sobreviveu.
Nasceu em Elêusis (Ática), no seio de família aristocrática, por volta do ano 525/4 a.C., e começou a compor tragédias no início do século v a.C. Terá lutado contra os persas na batalha de Maratona, em 490 a.C., e, dez anos mais tarde, em Salamina, fazendo parte das duas maiores vitórias atenienses contra os invasores persas. Foi um autor aclamado ainda em vida e após a sua morte. A maior parte das suas cerca de oitenta peças terá ganho o primeiro prémio nas Grandes Dionísias. Destas, apenas sete sobreviveram: Persas, Sete contra Tebas, As Suplicantes, a trilogia Oresteia (Agamémnon, Coéforas e Euménides) e Prometeu Agrilhoado. A sua fama levou-o à Sicília, convidado pelo tirano de Siracusa, e aí viria a morrer, na cidade de Gela, em 456/5 a.C.
Sem informação.
Impresso em papel Snowbright com certificado ambiental