17.90€ 13.26 
Valor mínimo para apoiar este livro
2
Apoiantes
138
Apoiantes Necessários
Titulo Passaportes Falsos
Autores Charles Plisnier, António Passos (trad.)
Género
Romance
Proposto por
Hugo Xavier
Editor
Hugo Xavier
Formato
13x20cm
N.º Páginas Estimado
364
Data Estimada
Junho de 2026
Notas
Esteve para ser publicado em Portugal em 1938, mas foi apreendido e destruído pela polícia política ainda na gráfica. Passados 88 anos, este grande romance, vencedor do Goncourt de 1937, tem finalmente edição portuguesa.
Antes de falarmos do livro propriamente dito, uma história real: Passaportes Falsos teve a sua primeira edição em França, publicada pelas Éditions Corrêa, em Junho de 1937. A 2 de Dezembro de 1937, depois de um êxito surpreendente, é-lhe atribuído o Goncourt – o primeiro para um escritor não-francês. 
Em Portugal, a Editorial Progresso, editora com afinidades de esquerda, adquire os direitos ainda em 1937 iniciando um rápido processo de tradução para que a obra fosse publicada e distribuída antes de a sua fama poder chegar aos ouvidos dos censores. O surpreendente prémio Goncourt, inesperadamente atribuído pela primeira vez a um autor sem nacionalidade francesa, estraga os planos; o romance é falado na imprensa e, em Dezembro de 1937, esgota em França e é feita uma segunda tiragem massiva que toma conta dos escaparates. Em Portugal, nos primeiros meses de 1938, a PVDE (antecessora da PIDE) faz, nos primeiros dias de Abril, uma visita surpresa à Tipografia da «Seara Nova», sita na Calçada do Tijolo, em Lisboa, certamente informada por algum delator, e apreende os livros a meio do processo de impressão, destruindo as chapas e multando a tipografia. Os exemplares apreendidos são levados aos censores e, no dia 15 desse mesmo mês, é oficialmente comunicado que se trata de um livro proibido. Em França a obra continua a vender, com novas tiragens publicadas em 1938 e 1939. Em 1940 dá-se a ocupação nazi e, poucos meses depois, é anunciada a primeira versão da famosa «liste Otto». Passaportes Falsos integra-a, mantendo-se nela até ao fim da ocupação.
Passaportes Falsos (1937), de Charles Plisnier, é um romance constituído por uma série de narrativas interligadas que exploram o destino de militantes revolucionários comunistas na Europa entre-guerras. Inspirando-se em acontecimentos e personagens reais do movimento comunista internacional, Plisnier – ele próprio um antigo militante – constrói um fresco moral e político sobre a crise de consciência de vários revolucionários confrontados com a disciplina do partido, a violência revolucionária e a manipulação ideológica. A obra recebeu o Prémio Goncourt em 1937 – sendo Plisnier o primeiro autor não francês a obtê-lo – e o seu nome chegou a ser proposto duas vezes para o Prémio Nobel da Literatura.
Os episódios que compõem o livro seguem diferentes personagens – conspiradores, agentes clandestinos, intelectuais e militantes – que atravessam fronteiras com identidades falsas, vivendo sob permanente suspeita e risco. À medida que os acontecimentos se desenrolam, torna-se claro que a ameaça mais profunda não provém apenas da polícia ou dos inimigos políticos, mas do próprio aparelho do partido, onde a desconfiança, as purgas e as acusações de traição se multiplicam. Cada narrativa revela assim o conflito entre a fidelidade ao ideal revolucionário e o choque com a realidade brutal das estruturas políticas que afirmam defendê-lo.
Mais do que um romance de intriga política, Passaportes Falsos é uma reflexão trágica sobre a consciência moral e o fanatismo ideológico. Plisnier examina o drama íntimo de homens e mulheres que, em nome de um ideal de justiça social, aceitam ou testemunham actos de violência, mentira e delação. O livro combina intensidade psicológica, análise política e um tom quase confessional, revelando a progressiva desilusão do autor perante os mecanismos do totalitarismo revolucionário e afirmando-se como um dos primeiros grandes testemunhos literários europeus sobre a degeneração do ideal comunista nas décadas de 20 e 30 do século xx, não deixando de lado as referências à ascensão dos fascismos quase em paralelo com os extremismos de esquerda.

«A obra-prima de um desmoralizador e o exemplo mais acabado dos exercícios de desmistificação.» -- Laurent Robert, Le Carnet et les Instants

«Leia-se qualquer obra de Mauriac, de Plisnier, de Bernanos: ficam-nos personagens que não se conseguem esquecer.» -- Jean Marteau, Journal de Genève 

«Eis que, em França, um talento de além-fronteiras é reconhecido, consagrado, coroado. Eis que oficialmente […] são tratados como iguais escritores de língua francesa de países diferentes.» -- Richard Dupierreux, Le Soir / La République des Livres

«Charles Plisnier tem esta originalidade: tentar um estudo da Internacional vista por dentro. O seu livro é abundante, poderoso, friamente audacioso...» -- André Chaumeix, Revue des Deux Mondes
 
Charles Plisnier (1896–1952), escritor belga de expressão francesa, foi uma das vozes mais agudas da literatura europeia do século XX na análise das crises ideológicas e morais do seu tempo, distinguido com o Prémio Goncourt em 1937 e nomeado quatro vezes para o Prémio Nobel da Literatura.
Nascido em Ghlin (Mons) e formado em Direito na Universidade Livre de Bruxelas, Plisnier envolveu-se desde cedo na militância comunista, participando activamente nos debates políticos do período entre-guerras. A sua ruptura com o estalinismo, no início da década de 30, marcou profundamente o seu percurso intelectual e literário, conduzindo-o a uma reflexão crítica sobre os mecanismos de opressão ideológica e sobre a responsabilidade individual perante a História. Essa evolução traduziu-se numa obra fortemente marcada pela introspecção moral e pelo confronto entre fé, consciência e compromisso político.
A consagração internacional chegou com Faux Passeports (1937), conjunto de narrativas de inspiração autobiográfica que lhe valeu o Prémio Goncourt – atribuído pela primeira vez a um autor não-francês. A sua produção, que inclui cerca de uma dezena de volumes entre romances, ciclos narrativos e ensaios, estende-se ainda a títulos como Mariages e Meurtres, nos quais prossegue a dissecação das tensões entre indivíduo e ideologia. As suas obras foram traduzidas em diversas línguas europeias – incluindo português, espanhol, italiano, alemão e inglês –, assegurando-lhe uma difusão significativa no espaço ocidental.
Em virtude do seu conteúdo político e do seu posicionamento crítico face aos totalitarismos, alguns dos seus livros conheceram restrições e proibições em determinados contextos históricos, nomeadamente em regimes autoritários europeus do século xx. Apesar de não ter ganho o Prémio Nobel, para o qual foi nomeado quatro vezes (na realidade cinco vezes, mas a quinta deu-se no ano da sua morte, antes da atribuição do prémio, o que anulou a candidatura), Plisnier permanece como um testemunho literário de primeira ordem sobre as desilusões ideológicas do seu tempo e sobre a complexa relação entre convicção política e consciência moral.
 
Sem informação.
Impresso em papel snowbright com certificado ambiental.

Se gostou deste livro também vai gostar de...

Venha construir esta editora connosco