Segundo volume da denominada «Trilogia Alemã», na qual Céline prossegue a narrativa dos anos de fuga depois de ser condenado por traição.
No segundo volume da trilogia autobiográfica de Céline, o protagonista atravessa uma Alemanha devastada pelos bombardeamentos aliados, integrando o cortejo errante de colaboracionistas e refugiados que procuram abrigo num Reich em colapso. Entre comboios superlotados, cidades em ruínas e administrações fantasmáticas, o narrador fixa-se por momentos em Sigmaringen, onde o que resta do Governo de Vichy encena uma soberania ilusória.
Este cenário de desagregação total acentua o tom febril, fragmentário e visionário de uma escrita em que o grotesco e o trágico se confundem. Céline regista o pânico, a fome, as intrigas mesquinhas e a miséria moral dos exilados, compondo um fresco impiedoso dos derradeiros dias de um regime já reduzido à sombra de si mesmo. Ao mesmo tempo, Norte constitui um documento literário singular sobre a derrocada alemã vista do interior desse microcosmo de derrotados.
O Autor mantém as suas invectivas contra o meio literário francês e contra os antigos companheiros de circunstância, mas o centro da narrativa desloca-se para a sobrevivência imediata e para a fuga incessante. Acompanhado pela mulher e pelo inseparável gato, cuja presença adquire contornos quase simbólicos, Céline prepara a travessia final que o conduzirá mais profundamente ao exílio e à errância que marcam toda a trilogia.
«Além do brilhantismo da prosa, muito para lá da ideologia pessoal, fica um dos testemunhos mais notáveis e bem escritos daqueles de quem não reza a História.» -- Michel Elizier
«Céline, para mim o melhor de todos os romancistas – brutal, testemunho feroz e exaltado de um mundo elementar, que nos entranha todos os dias mais profundamente na noite. A morte, a agonia, o crime, a culpabilização, as recriminações, a loucura, o sexo – tudo isto e muito mais constitui o seu "normal".» -- Philip Roth